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Cal

A tua avó, coberta pelo silêncio, Olha para ti, atravessa o tempo, E segue os passos que dás. No seu rosto, és ainda a criança Que brinca no quintal, que correu pelas ruas E que tem de proteger. Naquela idade em que a memória te acompanha As avós esperam, feitas de ternura, Têm colo para dar. Elas conhecem os caminhos que nasceram antes de ti E adormecem sozinhas, cismam nos dias que não têm fim Sentem as veias nas mãos, cumprem os seus rituais, Lembram um mundo só delas, existem por detrás da cal. Sem terem mal Chegará um dia em que o silêncio encontrará O tempo, o teu rosto Por detrás da cal

Palco de Feras

O circo está cheio O espectáculo vai começar Apagam-se as luzes A banda começa a tocar Entram acrobatas, homens contentes Há salva de palmas Sorriem inocentes Os animais entram em acção Estalam chicotes Cresce a tensão Fitam os donos, rangem os dentes Estão cheios de sono Vivem dormentes Fogem da jaula, rompem barreiras Há gritos na sala Há pânico nas cadeiras Há gente caída, há corpos no chão São bocados de alma Uns vivem, outros não Dói-me o corpo Dói-me a alma Dói-me o ego Dói-me tudo Estou cansado Tenho fome Tenho sede Sinto a terra Passa a vida inteira Neste palco de feras No final cansados, chegam-se á frente Estão todos de volta No fim da sessão Dói-me o corpo Dói-me a alma Dói-me o ego Dói-me tudo Estou cansado Tenho fome Tenho sede Sinto a terra Passa a vida inteira Neste palco de feras

Meu Caro Jorge (Palma)

Meu Caro Jorge, Escrevo-te esta carta para perguntar como estás Como tens passado, como vai a vida Quando me visitas por cá Falamos um pouco, fazemos um brinde e saudamos todo Este céu Esteja quem estiver, que nos mande um beijo Com a graça que Deus lhes deu Meu Caro Jorge A tua perseverança folgo em saber que é sentida Pinta a tua vida e faz um carrocel, O teu coração é forte tem uma força desmedida E o teu mundo é folha de papel Guardo nos meus sonhos as tuas cantigas Nunca deixes de ser como és Se estiveres atento á tua magia Tens o mundo a teus pés Assim me despeço, até qualquer dia Um bem haja e continuação Na volta cá te espero, recebe um forte abraço Do teu amigo João A tua perseverança folgo em saber que é sentida Pinta a tua vida e faz um carrocel, O teu coração é de aço tem uma força desmedida E o teu mundo é folha de papel

Sem Perguntar

Sem perguntar, sei de notícias tuas, Leio em sinais esquecidos por aqui. Esta distância é um nada que magoa, Eu não consigo existir sem ti. Se a tua voz pertence a outra pessoa, O teu silêncio não lhe pode pertencer. A paisagem é uma palavra à toa Que não te disse. Nunca quiseste saber. Onde estás, que não te vejo Andas longe no teu vagar, Procuro apenas no meu desejo, Apenas em mim te sei encontrar. Esse adeus continua até hoje A despedida teve um nome qualquer Devagar, o tempo foge, Foge contigo e sou eu que o estou a perder. Tenho tantos sonhos guardados, Tenho tantas lembranças de ti, Recomeço os planos adiados E começo a imaginar-te aqui.

É a Nossa Vez

Fala-me dos teus sonhos, Diz-me quem és Nostra-me o teu mundo, Diz-me no que crês Queres que te ouça, Que me renda ao que és Os segredos que te guardo São tudo o que és Queres que guarde a tua imagem Que seja a margem da tua pele Queres sentir o meu corpo Que seja um porto sempre fiel, Tens no meu mundo, As perguntas e os porquês Quando estás comigo tu és o que és Vem comigo agora é a nossa vez Agora que me tens, Diz-me o que vês Solta gritos mudos, Abraça-me outra vez Se me pedes que mergulhe, Eu estou pronto, não quero acordar As palavras que me ofereces, São as mesmas Que me fazem sonha

Os Cúmplices

No meio de tanta gente Não te posso dizer Que os teus dias são os meus dias Não me dou nem te dás a conhecer Trocam olhares e palavras Recebem a noite a dançar Riem, bebem e gritam E a música não quer parar Sentam-se á mesa os cúmplices Seguros de tudo o que são Tudo o que sinto é um vazio Eu espero e tu nunca mais vens Todos têm seus nomes E sei dizê-los de cor Vestem vicios e mentiras Já vivi noites melhores No meio de tanta gente Não te posso mostrar Que por não estares presente Não quero mais ficar,

Vens ou Ficas

Vens ou ficas Esta cidade é so nossa. E a noite pede-nos um corpo Para continuar a viver. Se vieres, vou esperar-te á estação. Trarás contigo a razão Quem te ouve e quem te vê. O encontro será apenas um momento No interior do pensamento Onde tudo se resolve. Os segredos são o centro de um incêndio Que arde com o silêncio Como outra noite qualquer. Se me ouves, se recusas as palavras, Transformamo-nos em nada, Quase deixamos de ser. E as horas que se despedem dvagar Que se afastam de ficar Que se aproximam de morrer. O que fomos passa por nós na avenida, É um pedaço da nossa vida Que ainda quer sobreviver. Vens ou ficas Eu vou estar á tua espera Por mais que a força não queira Seremos dois a decidir.

Amor (em 2 Mão)

Gostava de ter ido contigo ao teatro Mas o teu convite não aconteceu Fiquei só, perdido e desmotivado Num enredo, que nao era meu. O que eu não dava pr'a te ver No meio da cena Desprevenida sem representar O que não dava pr'a te ter Despida ao meu lado em silêncio Sem nada pr'a questionar Andamos em desassossego, Vivemos desassossegados Gostar assim tanto de alguém Completamente embriagados, Vendemos a alma ao diabo Porque temos amor em 2 mão Não te peço nada que não possas fazer Vou acordar contigo, ver, desafiar o mar Atiro-te á sorte e não te digo nada Não te atrevas a pestanejar. Andamos em desassossego, Vivemos desassossegados Gostar assim tanto de alguém Completamente embriagados, Vendemos a alma ao diabo Porque temos amor em 2 mão Ninguém nos leva a mal, Ninguém nos pode parar Somos o par ideal, não há que duvidar.

Sempre Hoje

Se quando tu voltares, Se for já muito tarde, Se eu não for capaz de perguntar Porque demoraste. Então deixa que te diga És tudo o que me resta. A noite espera comigo Por outra noite como esta. Hoje não sou mais do que tu. Quero estar perto de ti. Haja o que houver, vou continuar Tudo o que faça lembrar de hoje. És sempre hoje. Se me ouvires cantar, Todas as palavras Servem para procurar A imagem do teu rosto Se me prometeres. Que ficas comigo. Eu espero para sempre E fico contigo. Os meus olhos ficam acordados Para te poder ver Já é madrugada, tu estás cansada Devias saber, vou ter que dizer Hoje não sou mais do que tu.

A Palma e a Mão

Gastei mais que as palavras Em sonhos que eram teus, E do pó que pisavas Fiz estradas e céu. Inventei ventos e ruas, Fiz-me louco nos teus braços, E das minhas frases nuas No teu corpo escrevi laços. E se partires de amanhã Deixa a sombra e o chão Esta noite eu e tu Somos a Palma e a Mão E no nome que te dei Tu já tens onde acordar, Amanhã eu não sei Quem te vai abraçar. E então voltas do nada, Sem pecados ou perdão, Esta noite eu e tu Somos a Palma e a Mão. Vem de longe o teu caminho, Em mim faz sempre verão, Esta noite eu e tu Somos mais que a razão. Eu sou um mundo sozinho, Por isso é fácil dizeres "Não" Volta para mim esta noite Para sermos A Palma e a Mão.

"Um Volto já!"

Quero os teus dedos molhados bastante salgados Encosta os teus lábios aos meus Mal o meu corpo te encontra, já estas pronta Mas fazes de conta que não me queres Tu és… mais do que um beijo Sentes desejo ouve o coração bater Mais depressa enquanto me embalas e perdes a fala Tem cuidado não me faças sofrer Eu venho de longe, estou quase a chegar Apresento-me hoje, Porque amanhã, não vou estar Refrão: Não demoro, quero-te agora Fica na porta, um volto já Mal me conheces, Mas não me esqueces Chego mais cedo Mas não posso ficar (2x) Caio na tua rede, Matas-me a sede Olho-me ao espelho a vapor e suor Fixa, o olhar no escuro Quero que vejas o meu e o teu esplendor Fica, bem mais de perto Tiro-te a teima O que tens tu para dizer Sei mais do que tu julgas Tens manias novas e há tanta noite a preencher Eu e tu somos muitos Não podemos falhar O que perdemos ontem Hoje vamos ganhar Refrão:

Vamos dar a volta ao Mundo

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O mundo é perfeito quando tu sorris o mundo é perfeito sempre que te abraço cada vez que vou e luto por ti e acredito na força daquilo que faço dá-me a tua mão vamos dar a volta ao mundo o mundo é perfeito se quisermos mais o mundo é perfeito em quem se quer bem é luz e coragem do lado do sol sempre que o caminho nos traz mais alguém dá-me a tua mão vamos dar a volta ao mundo Letra: Mafalda Veiga Música: João Pedro Pais

Deixa o coração falar

João Pedro Pais - Deixa o Coração Falar (musica do filme da Disney, "As aventuras do Tigre") Tantos dias de sol bom e noites de luar no peito ha sempre uma canção pra te fazer sonhar mas de repente acaba o verão e tu vais ver qualquer coisa finda e a saudade vem Quando estas so sem ter ninguém vai mais além porque um bom amigo vem ve dentro de ti quem te ama está a espera do teu olhar pra partilhar.. deixa o coraçao falar giro com um pormenor leva para trás a sitios e abraços que esquecer não és capaz a vida a querer lembrar te que ninguém está só ve bem ha sempre uma ponte que nos liga a alguem Quando estas so sem ter ninguem vai mais além porque um bom amigo vem ve dentro de ti quem te ama está a espera do teu olhar pra partilhar.. deixa o coraçao falar podes sentir que estas quase a sair desse trilho que era o teu mas ouve o que o teu coraçao diz segue o coraçao vais ver que nao erras nem quando estás só sem ter ninguem procura bem que um bom amigo vem ve dentro de ti qu...

O Dia mais Longo

João Pedro Pais - O Dia Mais Longo Hoje é o dia de todos os dias Hoje é o dia mais longo das nossas vidas Põe o teu corpo bem junto do meu Uma voz escondida disse eu, sou eu! Cuida de mim, traz-me aconchego, tenho frio Quero sair, leva-me p’ra um lugar que nunca ninguém viu Depois será tarde, p’ra sempre mais tarde Ontem já não conta, já está esquecido Pedes-me o céu, respiro o teu ar Desejas meu beijo, faz-me voar Depois já cansados parecemos ausentes Dividimos sonhos, seremos diferentes Na cidade fantasma libertamos correntes Podemos morrer de pé e de frente *

Vamos Brincar

Basta um sorriso, um abraço E tudo pode mudar Olhas pr'a mim e imitas o que eu faço O sonho vai continuar Logo que estiveres desperto No teu mundo vou entrar O sono é já só um reflexo Agora vamos brincar

Quantas Vezes mais

João Pedro Pais - Quantas Vezes Mais Quantos medos tens Tanto gesto vão Quantas frases feitas Falta-lhes razão Quantas guerras mais Só devastarão Frios Generais Que alucinação Fazem perfilar à nossa direita Vamos alinhar a quem nos espreita Por cima do ombro Quem não se escondeu Deixou-se apanhar Alguém se esqueceu Que a terra nos ia devorar Somos um pouco de tudo Diferentes de toda a gente Desafiemos o mundo Que nos separa num repente Tantos bons rapazes Carne p’ra canhão Poucos Capitães Que desolação Quantos Presidentes em má direcção Tantos descontentes Em contestação Diz-nos onde estão Diz-nos onde vão?… *

Puro Acaso

João Pedro Pais - Puro Acaso Olha que o acaso anda à espreita Juro que o vi, Olha que a sombra nele se deita Por trás de mim, por trás de ti Tatua todo o teu corpo escondido Disfarça todo o teu corpo esquecido Por sobre nós, oiço uma voz Pode uma palavra calar e o medo afastar Tudo num momento A frase ficar no ar, e um gesto arrasar, numa fracção de tempo Olha que a noite é vaga e louca Que nos destrói e não nos poupa… Sinto que o silêncio nos sufoca Nos embaraça e nos provoca Abraça bem de frente todo este cé Que nos envolve num repente tudo o que é meu Tudo o que é teu *

Lembra-te de mim

João Pedro Pais - Lembra-te de mim Entrei numa casa fria De portadas entreabertas Espreitei a ver se te via As ruas estavam desertas Os amores já terminados São ausência, fazem mal Não me esqueço do recado Nem de um gesto ocasional Ao notares que estou mais velho Passa por mim devagar Quando /e se te olhares a um espelho Também tu irás notar Lembra-te de mim… Os rostos p’ra quem os viu Já não são como eram dantes Percorro as margens de um rio Há já séculos, há instantes Vivo de vagas memórias Onde te espero encontrar São derrotas, são vitórias Quero agora descansar *

Má Pontaria

João Pedro Pais - Má Pontaria Não sou parte da jogada Vejo do 2º andar Não passei do hall de entrada Não me dou nem quero dar Imponho a minha sabedoria Noutro jogo de xadrez Xeque ao rei, má pontaria A minha sina é como vês Pode ser que tudo até bata certo Podes crer da próxima vou ser mais esperto O rapaz perdeu, o pontapé doeu Não teve jeito p’ra rematar O árbitro apitou, a bola falhou Faltou-lhe a coragem na hora de marcar Eu ponho os dedos entrelaçados P’ra o azar afugentar Na janela entusiasmado, p’lo teu golo eu vou esperar O esférico bateu na trave Pela milésima vez Não me vou culpabilizar, se há culpados são vocês *

Estranho Estrangeiro

João Pedro Pais - Estranho Estrangeiro Dorme numa esquina da minha rua Um sujeito estranho Sentado lá continua parado nos passeios As suas mãos fortes e gastas Tocam as grades da antiga escola Recorda a sua infância vendo meninos jogando à bola Estranho estrangeiro Diz-me onde moras Sinto o teu cheiro Quem me recordas? Percorre avenidas e vê os engates Parecem meninas Começam por um disparate Acabam loucas da vida, perdidas Os cigarros apanhados do chão, os bolsos vazios Dinheiro nem p’ra comprar pão A vida por um fio *