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sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Cal

A tua avó, coberta pelo silêncio,
Olha para ti, atravessa o tempo,
E segue os passos que dás.

No seu rosto, és ainda a criança
Que brinca no quintal, que correu pelas ruas
E que tem de proteger.

Naquela idade em que a memória te acompanha
As avós esperam, feitas de ternura,
Têm colo para dar.

Elas conhecem os caminhos que nasceram antes de ti
E adormecem sozinhas, cismam nos dias que não têm fim
Sentem as veias nas mãos, cumprem os seus rituais,
Lembram um mundo só delas, existem por detrás da cal.

Sem terem mal

Chegará um dia em que o silêncio encontrará
O tempo, o teu rosto
Por detrás da cal

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